Como as Frontier Firms estão reinventando o modelo operacional na era da IA

Como as Frontier Firms estão reinventando o modelo operacional na era da IA

Por Jared Spataro, Chief Marketing Officer, AI at Work

imagem abstrata em fundo claro, com um grande círculo central em tons suaves de bege. Ao redor dele, há centenas de linhas finas irradiando para fora, formando um efeito de explosão ou campo de energia. As linhas mudam de cor gradualmente, indo de azul e verde à esquerda para rosa e vermelho à direita. Dentro do círculo, aparecem diversos pontos coloridos conectados por linhas delicadas, como uma rede ou constelação de dados. Alguns pontos são maiores, com brilho ao redor, enquanto outros são pequenos e dispersos. Há também linhas curvas e tracejadas que atravessam a composição, dando sensação de movimento, conexão e fluxo. A imagem transmite uma ideia de tecnologia, inteligência artificial, redes interconectadas, colaboração e expansão digital.

Passe algum tempo com qualquer equipe de engenharia de software hoje e você perceberá uma transformação importante. Nos últimos anos, a forma como os produtos digitais são desenvolvidos evoluiu em quatro padrões distintos de colaboração entre humanos e agentes — um movimento que agora começa a se expandir para outras áreas das organizações.

  • Autor: você executa o trabalho e utiliza a IA como apoio pontual — seja para escrever código, um texto ou criar um gráfico.
  • Editor: você define a intenção e a IA gera um primeiro rascunho para ser ajustado e aprovado.
  • Diretor: você especifica o que precisa ser feito e delega tarefas completas para a IA executar em segundo plano.
  • Orquestrador: Você projeta um sistema onde vários agentes operam em paralelo em um fluxo de trabalho, sinalizando exceções e escalonamentos para você.

Todo líder de negócios sabe que o mundo está mudando, mas poucos têm clareza sobre como agir. Esses quatro padrões são um ponto de partida. O verdadeiro desafio agora é redesenhar o modelo operacional das empresas com base nessas novas formas de colaboração.

À medida que o uso de agentes se expande, a participação humana não desaparece — ela se transforma. O trabalho manual, passo a passo, tende a diminuir, enquanto cresce a necessidade humana de direcionamento estratégico, definição de padrões e avaliação de resultados.

Em última instância, o objetivo não é levar todas as atividades ao quarto padrão. Em vez disso, cabe às lideranças orientar suas organizações a identificar qual modelo de colaboração é mais adequado para cada fluxo de trabalho. Esse é o conceito de uma Frontier Firm: definida por como os líderes, de maneira intencional, desenham o trabalho entre diferentes áreas, ajustando o nível de envolvimento humano ao resultado esperado.

O que os dados revelam

A pesquisa Work Trend Index 2026 reforça essa transformação em diferentes setores e funções. O estudo analisou trilhões de sinais anonimizados de produtividade no Microsoft 365 e entrevistou 20 mil profissionais em 10 países. Também conversamos com especialistas referência em IA, trabalho e psicologia organizacional para nos ajudar a analisar os insights dos dados e entender para onde tudo isso está caminhando. A conclusão é consistente: a principal limitação já não é mais o que as pessoas conseguem fazer, mas sim como o trabalho está estruturado ao seu redor.

  • A IA amplia o potencial individual. Uma análise que preserva a privacidade de mais de 100 mil interações no Microsoft 365 Copilot mostra que 49% de todas as conversas apoiam o trabalho cognitivo — ajudando profissionais a analisar informações, resolver problemas, avaliar e pensar de forma criativa. Essa mudança já pode ser observada nos resultados: 58% dos usuários de IA afirmam que estão produzindo trabalhos que não conseguiriam produzir há um ano, número que sobe para 80% entre os Frontier Professionals, os profissionais mais avançados no uso de IA identificados na pesquisa. No Brasil, esse impacto é ainda mais expressivo: 72% dos usuários de IA afirmam que estão trabalhando de uma maneira que não seriam capazes de produzir há um ano, chegando a 82% entre os Frontier Professionals. Além disso, quando questionados sobre quais habilidades humanas se tornam mais importantes à medida que a IA assume mais tarefas, os usuários apontam dois fatores principais: controle de qualidade dos resultados da IA (50%) e pensamento crítico — ou seja, a capacidade de analisar informações de forma objetiva e tomar decisões fundamentadas (46%). No Brasil, ambos aparecem com ainda mais destaque, sendo citados por 53% dos profissionais nos dois tópicos.
  • O paradoxo da transformação. Estamos observando o surgimento de um ponto de tensão dentro das organizações, no qual a pressão por desempenho entra em conflito com a necessidade de transformação. 65% dos usuários de IA entrevistados temem ficar para trás se não utilizarem a tecnologia para se adaptar rapidamente, ainda assim, 45% afirmam que parece mais seguro focar nas metas atuais do que redesenhar o trabalho com IA. E apenas 13% dos profissionais dizem ser recompensados pela reinvenção do trabalho com IA, mesmo quando não há os resultados esperados. No Brasil, esse cenário é ainda mais acentuado: 79% demonstram preocupação em ficar para trás, enquanto 40% preferem manter o foco nas metas atuais, e apenas 16% disseram ser recompensados pela reinvenção do trabalho com IA. As mesmas forças que aceleram a adoção da IA também contribuem para freá-la.
  • Toda organização é um sistema de aprendizagem. Nossos resultados mostram que fatores organizacionais, como cultura, apoio da liderança e práticas de gestão de talentos, representam mais do que 2X o impacto da IA em comparação com fatores individuais, como mentalidade e comportamento (67% vs. 32%). Especificamente, os dados reforçam a importância de um ambiente preparado para IA: uma cultura que trate a IA como uma vantagem estratégica e incentive a experimentação; líderes modelos que utilizem e incentivem o uso da tecnologia; e práticas de talentos que desenvolvam habilidades e criem espaço para aplicá-las. A questão central deixa de ser se as pessoas têm as habilidades certas e passa a ser se a organização está estruturada para desbloqueá-las.

As empresas que constroem um novo modelo operacional hoje não vão apenas ganhar velocidade no curto prazo. Elas irão criar algo mais duradouro, preparando-se para gerar valor de formas que ainda não conseguimos imaginar: uma organização que aprende mais rápido do que seus concorrentes, potencializa de forma contínua a própria inteligência e se torna cada vez mais difícil de alcançar a cada ciclo.

Para uma análise mais aprofundada, consulte o relatório Work Trend Index 2026.

Capacitando as Frontier Firms com o Copilot Cowork — agora disponível para celular, extensível e pronto para o ambiente corporativo

Nenhum sistema de uma organização escala sem uma infraestrutura que conecte pessoas e agentes em um mesmo fluxo de trabalho, com dados integrados e a capacidade de gerenciar e governar tudo isso. O Microsoft 365 Copilot foi desenvolvido exatamente para esse cenário.

Hoje, estamos expandindo o Copilot Cowork com novas capacidades para Frontier customers (clientes avançados) para ajudar as organizações a evoluir de tarefas isoladas de IA para um trabalho coordenado, com múltiplas etapas. O Cowork permite que as pessoas definam resultados e deleguem atividades entre aplicativos, sistemas de negócio e dados, com uma execução que permanece orientada e sob controle ao longo de todo o processo.

Essa atualização apresenta o Copilot Cowork Mobile para iOS e Android, além de um ecossistema crescente de plugins para o Cowork, que amplia a integração de ferramentas e dados das organizações nessas experiências. Isso inclui plugins nativos em serviços da Microsoft, como Dynamics 365 e Fabric, além de integrações com parceiros, como LSEG (London Stock Exchange Group), Miro, monday.com, S&P Global Energy, entre outros, que estarão disponíveis nas próximas semanas. As organizações também podem desenvolver plugins customizáveis para transformar seus próprios fluxos de trabalho e conhecimentos em processos reutilizáveis e escaláveis. Além disso, uma primeira leva de conectores federados do Copilot para o Researcher e o Microsoft 365 Copilot Chat já está disponível para o público em geral por meio de parceiros como HubSpot, LSEG (London Stock Exchange Group), Moody’s, Notion e outros.

Em conjunto, essas atualizações ampliam o Copilot Cowork de um assistente focado em tarefas para uma plataforma extensível, que ajuda a orquestrar o trabalho entre sistemas da Microsoft e de terceiros. Com gestão e governança por meio do Microsoft Agent 365, as organizações podem implementar e escalar agentes em funções essenciais do negócio, como vendas, atendimento e operações.

Saiba mais sobre essas inovações de produto no blog do Microsoft 365.

A IA deixou de ser um experimento, ela se tornou um desafio de execução. Os profissionais já estão atuando nos quatro padrões de trabalho que destacamos acima. A questão que permanece para as lideranças é se conseguirão acompanhar esse ritmo. O acesso à IA deixará de ser, em breve, um diferencial competitivo. O que fará a diferença será como o trabalho é estruturado ao redor da IA.

Jared Spataro, CMO de AI at Work na Microsoft, define como organizações de todos os setores aplicam IA e agentes para reduzir custos, criar novo valor e moldar o futuro do trabalho. Ele lidera pesquisas, estratégia e desenvolvimento de produtos em plataformas como Copilot, Copilot Studio, Microsoft 365, Dynamics 365 e Power Platform.

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