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Igualdade na era digital: como a IA pode ser uma força para inclusão da comunidade de pessoas com deficiência
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Quando Edi Suwanto perdeu sua visão em um acidente em um laboratório de química, o mundo que ele conhecia pareceu escapar de suas mãos. Porém, a partir dessa perda, uma nova porta se abriu: a tecnologia acessível o reconectou à educação, abriu oportunidades e, por fim, o aproximou da comunidade que hoje ele defende.
Atualmente atuando como facilitador para pessoas com deficiência no Microsoft Elevate, Edi representa como a IA pode remover barreiras e abrir caminhos para a igualdade. Sua trajetória reflete uma mudança mais ampla: quando a tecnologia é projetada de forma inclusiva, ela tem o poder de transformar a vida de milhões.
Recentemente, o mundo voltou a comemorar o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. No entanto, depois das celebrações, uma realidade permanece: por trás da rápida transformação digital, muitas pessoas com deficiência ainda lutam para obter acesso à tecnologia que deveria facilitar suas vidas. Isso nos lembra que o abismo digital é uma das maiores barreiras que impedem pessoas com deficiência de participar plenamente da vida cotidiana, desde o acesso a serviços públicos, aprendizagem, trabalho, construção de comunidade e a expressão pessoal.
De acordo com a Agência Central de Estatísticas (BPS) de 2023, existem cerca de 22,97 milhões de pessoas com deficiência na Indonésia, sendo 17 milhões em idade produtiva. No entanto, a taxa de participação dessas pessoas na força de trabalho permanece baixa, em 45 por cento1. Com o cenário do trabalho cada vez mais moldado pela tecnologia e pela IA, pessoas com deficiência precisam superar barreiras existentes para desbloquear acesso e oportunidades mais amplos. Dentro desses desafios, surge uma nova fonte de esperança: a IA como ferramenta de igualdade.
Pesquisas da UNDP mostram que mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo vivem com perda auditiva2. Hoje, tecnologias impulsionadas por IA introduziram recursos como transcrição de fala em texto, reconhecimento de voz e separação de fontes de áudio, tornando a comunicação diária mais inclusiva, especialmente no ambiente de trabalho. Para indivíduos com deficiência visual — incluindo 43 milhões totalmente cegos, 295 milhões com deficiência visual moderada a grave e 258 milhões com deficiência leve — a IA ajuda a reconhecer expressões faciais e movimentos, além de descrever imagens, ambientes e distâncias com mais precisão. Essas tecnologias reduzem o isolamento, destacam pontos fortes individuais e promovem independência.
Uma pesquisa realizada pela EY em parceria com a Microsoft3 mostra que o Microsoft 365 Copilot, um assistente de IA integrado ao Word, PowerPoint, Outlook e Teams, não apenas aumenta a produtividade, mas também apoia funcionários com deficiência e neurodivergência na execução de tarefas com mais confiança. Os participantes do estudo acharam o Copilot valioso para comunicação, redução da carga cognitiva e acesso à aprendizagem mais personalizada, inclusive para aqueles com desafios de linguagem ou dificuldades de leitura e escrita.
Em resumo, a IA é mais do que uma “tecnologia avançada”: ela pode se tornar a próxima geração de tecnologia assistiva que ajuda a fechar a lacuna digital vivida há tanto tempo pela comunidade de pessoas com deficiência.
Na Indonésia, uma pessoa que testemunhou e vivenciou o papel da IA em fechar essa lacuna digital é Edi Suwanto, educador e facilitador no Microsoft Elevate, iniciativa de treinamento em IA da Microsoft.
Da perda da visão à criação de um espaço de aprendizagem inclusivo baseado em tecnologia
Após perder a visão, Edi encontrou um novo caminho por meio da tecnologia acessível. Leitores de tela, laptops com áudio e outros dispositivos assistivos gradualmente reabriram portas para o aprendizado, interação e reconexão com o mundo ao seu redor.
A partir dessa experiência, ele fundou a difabelajar.id: uma plataforma de aprendizagem digital criada especificamente para pessoas com deficiência visual. Por meio dessa plataforma, Edi ensina o uso de computadores, navegação no Microsoft 365, criação de conteúdo digital e aprendizado de habilidades básicas de programação.
Com o avanço acelerado da IA, Edi enxergou uma oportunidade ainda maior. “A tecnologia nos coloca em igualdade de condições. Com a IA, pessoas com deficiência visual podem criar conteúdo, aprender novas habilidades e se expressar sem limites. A tecnologia nos torna mais independentes”, afirma.
IA empoderando a independência e preparando alunos para o mercado de trabalho digital
Nas aulas que Edi ministra no internato islâmico Sam’an Cinta Quran para pessoas com deficiência visual, pelo Microsoft Elevate e pela difabelajar.id, a IA tem papel central em ajudar os participantes a se tornarem mais independentes, confiantes e preparados para participar do mundo digital, especialmente para quem deseja começar pequenos negócios ou trabalhar de casa.
A IA auxilia em diversos aspectos da vida e habilidades práticas:
- Desenvolvimento de ideias de conteúdo e estratégias de marketing digital.
O que antes levava uma semana para criar um plano de conteúdo mensal, agora pode ser feito em 1–2 horas com o Copilot, gerando 30 ideias de conteúdo completas com datas de publicação, plataformas, temas, pilares de conteúdo e direções para imagens.
- Aprendizagem de forma mais personalizada e acessível.
A IA pode simplificar materiais difíceis, explicar conceitos por áudio e fornecer exemplos práticos. Para alunos com deficiência visual, esses recursos tornam o aprendizado mais flexível e sem dependência de terceiros.
- Desenvolvimento de habilidades digitais relevantes para o emprego.
Edi ensina habilidades básicas como digitação com os dez dedos, gerenciamento de pastas, uso de Word, Excel e PowerPoint — tudo com navegação por leitores de tela. Em seguida, a IA acelera tarefas como escrever artigos, criar legendas ou gerar imagens para divulgação.
- Desenvolvimento de habilidades criativas de programação.
Se antes os alunos só se sentiam confiantes para criar páginas HTML simples, com a IA podem aprimorar seus sites usando opções de CSS recomendadas pelo Copilot — incluindo escolha de paletas de cores e layouts acessíveis para usuários com deficiência visual.
- Interação e expressão sem barreiras.
A IA ajuda na escrita de mensagens, descrição de imagens, resumo de informações e criação de conteúdo em áudio. Com a interface mais amigável ao leitor de tela do Copilot, os alunos podem fazer tudo diretamente do celular.
Para Edi, as habilidades de linguagem aliadas às digitais são a base da independência, especialmente para pessoas com deficiência visual que querem iniciar pequenos negócios, atuar como freelancers ou simplesmente ganhar mais confiança na comunicação digital. Por isso, ele foca no ensino de inglês, árabe e marketing digital — tudo reforçado pela IA.
Após participarem dos programas de Edi, muitos alunos vivenciaram mudanças significativas: estudantes com deficiência visual agora conseguem concluir suas teses e buscar referências de forma independente. Empreendedores com deficiência visual aumentaram a renda após produzirem conteúdos com frequência.Já um professor universitário com deficiência visual em Bandung pode agora revisar trabalhos de alunos e gerenciar materiais de sala de aula com mais facilidade usando o Copilot.
Para Edi, essas transformações são sua maior motivação. “O acesso à tecnologia está muito mais aberto agora, e a IA facilita muitas coisas para nós. O desafio é ter coragem de começar a aprender. Quando habilidades de linguagem e tecnologia se unem, pessoas com deficiência realmente podem se igualar às demais. Só precisamos de oportunidade para provar isso”
Na visão de Edi, a IA não é apenas uma ferramenta de trabalho. É um meio de aparecer e se tornar parte da sociedade digital.
Tornando-se facilitador do Microsoft Elevate: dobrando o impacto
Como facilitador no Microsoft Elevate, por meio do Alunjiva, um dos parceiros do programa, Edi não apenas ensina como usar IA, mas demonstra como ela pode apoiar pessoas com deficiência na navegação do dia a dia no mundo digital. Com empatia e vivência, ele mostra que todos, com o suporte certo, têm potencial igual para crescer na era da IA.
Por meio dessa iniciativa de capacitação em IA, a Microsoft e seus parceiros buscam garantir que a comunidade de pessoas com deficiência na Indonésia não apenas acompanhe o progresso tecnológico, mas participe dele como aprendizes, criadores, profissionais e líderes dentro de suas comunidades. Um mundo cada vez mais digital só pode ser realmente inclusivo quando todos podem participar.
“A IA não é apenas sobre tecnologia avançada, mas sobre abrir oportunidade para todos. Com a IA, removemos barreiras, criamos espaços inclusivos e garantimos que qualquer pessoa possa estar presente, participar e prosperar na era digital”, afirma Arief Suseno, Diretor de Habilidades em IA da Microsoft Indonésia.
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[1] BPS. (2025). Serapan Tenaga Kerja Penyandang Disabilitas Harus Terus Ditingkatkan.
[2] UNDP. (2024). The AI Revolution: Is it a Game Changer for Disability Inclusion?. 2024
[3] EY. (2024). GenAI for accessibility: more human, not less.
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